23 de fevereiro de 2012

Cavalo de Guerra (2011) de Steven Spielberg

É (quase) obrigatório assistir a qualquer filme feito por Steven Spielberg, não fosse ele um dos cineastas mais influentes no cinema nos últimos 40 anos. War Horse (2011) é baseado num livro para crianças com o mesmo nome. Embora Spilberg tenha gasto mais de 60 milhões de euros não usou atores muito famosos do grande publico. O filme recebeu 6 nomeações aos oscar's.

A historia passa-se na pequena localidade de Devon, em Inglaterra, durante a I Guerra Mundial, em que "Joey" um cavalo normal, é comprado por um pobre agricultor por um preço exagerado, enquanto a sua esposa o incentiva para vende-lo de novo, o seu filho cria um enorme laço de amizade com o animal. No entanto para manter a sua casa o seu pai é obrigado a vender o cavalo ao exercito e Albert (Jeremy Irvine) o seu filho, fica esperançado em um dia voltar a encontrar o seu amigo.

Dou-lhe um 6/10, é um típico filme familiar que após os primeiros minutos de visualização já imaginamos o final. Spielberg mantêm a qualidade da fotografia, caraterização da época e montagem no seu alto nível habitual, mas desta vez há que dizer que o argumento fica bem abaixo das obras primas que nós acostumou. No filme todos falam inglês, até os proprios alemães e francesas entre eles, e como é obvio os alemães são em geral pessimas pessoas enquanto os ingleses e franceses integros e honestos.

22 de fevereiro de 2012

Filmes de Culto - High Noon (1952)

High Noon (1952) faz este ano o seu 60º aniversário e teve o nome em Portugal de O comboio apitou três vezes e no Brasil de Matar ou Morrer. O argumento foi escrito por Carl Foreman que se inspirou numa experiência da sua própria vida quando teve que declarar sozinho perante o comité de atividades anti americanas. Foi dirigido por Fred Zinnemann, que fez também From Here to Eternity (1953) ou A Man for All Seasons (1966).


A historia passa-se no oeste americano, numa pequena cidade chamada Hadleyville. O sheriff da cidade, Will Kane (Gary Cooper) acaba de casar com Amy (Grace Kelly) e preparam-se para sair da cidade. No entanto chega a noticia que Frank Miller, um homem que foi preso por Kane, chegará à cidade ao meio dia com o seu grupo para se vingar de Kane. O sheriff e a sua esposa são aconselhados pela população para fugir da cidade, mas após os primeiros kilometros Kane decide voltar para trás e enfrentar Miller, contudo ninguém da cidade está disposto a ajuda-lo.

Dou-lhe um 8/10, é engraçado que John Wayne achou que o filme era anti americano, enquanto na antiga União Soviética foi considerado como um exemplo do individuo americano. Mas na verdade é que o filme é um espelho da nossa sociedade cada vez mais individualista, egoísta e fria. Um western com pouca ação, mas com bastante tensão psicológico que vai aumentado ao aproximar-se a hora do confronto. Outro detalhe delicioso é que o filme desenrola-se em tempo real.

21 de fevereiro de 2012

Restless (2011) - Inquietos de Gus Van Sant

Gus Van Sant é um dos cineasta mais irregulares que conheço, tanto faz brilhantes filmes como Good Will Hunting (1997), Elephant (2003) ou Milk (2008) mas também é capaz de fazer filmes verdadeiramente maus como Psicose (1998) ou Last Days (2005). Logicamente que não sabia que poderia esperar de Restless (2011), o seu ultimo trabalho.

A historia é sobre Enoch (Henry Hopper) um jovem que perdeu os seus pais num acidente de viação e vive agora com a sua tia. Decide deixar a escola e vagueia pelas ruas com um fantasma japonês que só ele vê. Gosta de assistir a funerais de desconhecidos e num funeral conhece a Annabel (Mia Wasikowska), uma jovem que tem um cancro e está em fase terminal. Os dois apaixonam-se e têm de enfrentar o tempo que lhes resta juntos.

Dou-lhe um 4/10, é possivelmente um dos piores filmes de Gus Van Sant, realmente fraco. A ideia não está má, um jovem sem rumo que conhece uma rapariga à beira da morte que o salva a ele do abismo, mas na pratica o filme ficou bem abaixo das expetativas. Henry Hopper, o ator principal, é realmente mau, é um dos piores atores que vi recentemente. Quero acreditar que o próximo filme de Gus Van Sant será bem melhor.

19 de fevereiro de 2012

Nader e Simin - Uma Separação (2011)

É impressionante a quantidade e qualidade de filmes iranianos que são lançados anualmente, e é habitual vermos estes filmes premiados nos principais festivais de cinema. Nader e Simin uma Separação (2011) foi dirigido pelo cineasta iraniano Asghar Farhadi, que já tinha surpreendido pelo excelente thriller About Elly (2009). Com o seu novo filme trabalho recebeu inumeras nomeações e também prémios dos principais festivais de cinema.

A historia passa-se em Teerão, Simin (Leila Hatami) decide pedir o divorcio ao seu marido Nader(Peyman Moaadi), o motivo é porque ele não quer ir para o estrangeiro com ela e a filha deles. Nader aceita sem problemas o divorcio e alega que não vai ao estrangeiro porque tem de tratar do seu pai de sofre de Alzheimer. Simin decide voltar à casa dos seus pais e Nader contrata uma mulher para o ajudar a cuidar do seu pai. Contudo um dia ao chegar a casa encontra o seu pai atado na cama e sem ninguém em casa.

Melhores Filmes de Drama

Dou-lhe um 9/10, é um magnifico filme que nós dá uma visão diferente da sociedade iraniana. Com um argumento tenso e complexo, cheio de desafios à moralidade e mostrando como o ser humano mesmo com bons princípios sempre tem uma ponta de egoísmo. Os atores principais estão bastante bem e são os culpados pela tensão que existe ao longo do filme. Provavelmente o melhor filme de 2011.

17 de fevereiro de 2012

Filmes de Culto - Solaris (1972)

Um dos filmes mais importantes de ficção cientifica faz este ano o seu 40º aniversário. Solaris (1972) filme da antiga União Sovietica, dirigido por Andrei Tarkovsky é uma adaptação do livro com o mesmo nome do escritor polaco Stanisław Lem. É notório também a grande influencia que a obra prima de Kubrick, 2001 Odisseia no Espaço (1968) teve. Solaris (1972) venceu Cannes e para muitos este foi o melhor trabalho de Tarkovsky.

A historia é sobre Chris Kelvin (Donatas Banionis) um psicologo que passa o seu ultimo dia no planeta terra antes de embarcar numa nave espacial em direção à estação espacial junto ao planeta Solaris. Chris é alertado por um amigo do seu pai dos perigos que lhe esperam neste planeta, no entanto ele não dá importância a esses conselhos. Ao chegar à estação Chris depara-se com várias situações insólitas, um dos membros da população suicidou-se e os restantes estão bastante alterados.

Dou-lhe um 8/10, acho que o filme merece bem o estatuto de culto que tem. Tarkovsky com um orçamento baixo e com efeitos especiais limitados consegue transmitir bem as duvidas que Chris Kelvin tem ao longo do filme, um psicólogo que mesmo sabendo que esta a atuar mal não quer ver a verdade. Para mim merece estar na lista de melhores filmes de ficção científica. Há 10 anos atrás Steven Soderbergh fez um remake de Solaris com George Clooney.

15 de fevereiro de 2012

O Artista (2011) - Regresso do Cinema Mudo

The Artist (2011) é o filme que mais se fala atualmente, e não é de estranhar, é o filme a preto e branco e mudo que tem ganhado vários prémios e teve uma excelente receção em termos de bilheteira. Dirigido pelo francês Michel Hazanavicius que já há muito tempo que procurava fazer um filme mudo mas os produtores tinham muitos duvidas sobre o sucesso do projecto.

A historia passa-se em 1927 e George Valentin (Jean Dujardin) é uma enorme estrela do cinema mudo, todos os seus filmes são grandes sucessos. Peppy Miller (Bérénice Bejo) é uma jovem que ambiciona ser atriz e conhece de forma acidental a Valentin e entre eles nasce uma química. Mais tarde surge o cinema sonoro e Valentim caí em queda livre enquanto que Peppy começa a surgir como uma das grandes estrelas.

Dou-lhe um 7/10, é preciso ter coragem para lançar um filme mudo em pleno século XXI e só por isso há que dar os parabéns ao cineasta francês. O filme é divertido e uma merecida homenagem ao cinema mudo. Excelentes interpretações dos dois atores principais. O guarda roupa e a caracterização da época está magnifica. Ainda sim, o argumento é simples mas sendo o filme mudo não poderíamos esperar muito deste aspecto.

13 de fevereiro de 2012

Casablanca (1942) de Michael Curtiz

Quando tinha 16 anos vi pela primeira vez Casablanca (1942) e na altura não achei nada de especial e hoje com 34 belas primaveras, e com mais maturidade, decide rever o filme. Casablanca (1942) faz este ano o seu 70º aniversário e é um dos filmes mais famosos e influentes do cinema. Dirigido por Michael Curtiz, ganhou 3 oscar, incluído para melhor filme. Não teve uma grande estreia mas foi ganhando popularidade com o passar do tempo, sendo hoje um filme de culto.

A historia passa-se na cidade de Casablanca em Marrocos durante a II Guerra Mundial. Aí Rick Blaine (Humphrey Bogart), um americano expatriado por razões desconhecidas, é dono do café mais popular da cidade. Aí passam todos os estrangeiros que pretendem um visa para ir até Lisboa e dai até aos Estados Unidos. Rick é uma pessoa cínica e neutro a todas as questões politicas até ao dia em que entra Ilsa Lund (Ingrid Bergman) com o seu marido.

Dou-lhe um 7/10, embora tenha gostado mais de ver desta vez, ainda o considero ultra valorizado. Gostei bastante do ambiente criado do café de Rick, a interpretação e personagem de Humphrey Bogart está magnifica assim como Claude Rains o capitão francês que é um bom canalha. Filme romântico e alegre, em que muitas das suas frases e musicas ficaram gravadas na cultura popular. Um filme obrigatório para qualquer cinéfilo.

11 de fevereiro de 2012

Os Descendentes (2011) - Filme de Alexander Payne

Quando em 1999 vi Election, fiquei admirado pela qualidade do argumento e decorei o nome de Alexander Payne. Mais tarde saiu As confissões de Schmidt (2002) e Sideways (2004) e ficou confirmado que estavamos perante um cineasta bastante talentoso e infelizmente tivemos que esperar 7 anos para voltar a ver um trabalho seu. The Descendants (2011) foi um dos filmes mais premiados de 2011.

A historia é sobre Matt King (George Clooney) um advogado bem sucedido descendente de uma família nobre do Havai. Ele e os seus primos têm terras bastante valiosas e ele é o administrador responsável que lida com as questões burocráticas. Ao mesmo tempo começa a passar mais tempo com as suas duas filhas, pois a sua mulher teve um acidente e encontra-se em coma.

Dou-lhe um 7/10, Alexander Payne não sabe fazer maus filmes, é uma pessoa bastante humana e com bastante sensibilidade que consegue extrair como ninguém assuntos delicados sem nunca cair no drama fácil. Filme que é um postal de visita ao arquipélago de Havai, onde parece impossível que alguém possa ter um problema. Boa interpretação de Clooney. Ainda assim, acho que os seus dois anteriores trabalhos foram superiores.

9 de fevereiro de 2012

Serenata à Chuva (1952) - Cantando na Chuva

Quem nunca cantou a musica Singin' in the Rain, numa noite de chuva com uns copos a mais. Eu sim. A imagem de Gene Kelly cantado à chuva é uma das mais famosas em todo o cinema, fazendo parte da cultura pop dos nossos dias. Quem não se lembra de Malcolm Mcdowell cantado a musica em Laranja Mecânica (1961). Singin' in the Rain (1952) foi dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly.

A historia passa-se em 1927 já no final do cinema mudo, onde Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) são duas estrelas da altura, os seus filmes são grandes sucessos de bilheteiras e até se fala que os dois têm um relacionamento, o que não existe na realidade. Mas quando chega o som ao cinema o panorama muda radicalmente, os dois têm dificuldade em adaptar-se aos novos tempos.

Dou-lhe um 7/10, embora não seja grande fã de musicais, devo dizer que gosto deste filme. É um filme bastante alegre e divertido, ideal para um domingo de tarde com chuva. Filme que tem os clichés habituais dos musicais, historia de amor, muita musica, coreografias e cores. É talvez o musical mais famoso da historia do cinema e é curiosamente um filme que aborda a mudança que ocorre quando chega o som à 7ªarte.

7 de fevereiro de 2012

In Time (2011) - Filme de Andrew Niccol

Sou fã de Andrew Niccol, alguns dos seus filmes entrariam no meu "top 100" como Gattaca (1997) ou Lord of War (2005). Foi ele quem escreveu The Terminal (2004) e The Truman Show (1998). Assim que, o considero como um dos jovens cineastas mais talentosos no momento e logicamente tinha muitas expectativas para ver In Time (2011).

A historia passa-se no futuro, onde o gene humano para o envelhecimento foi descoberto e desactivado e assim, as pessoas param de envelhecer aos 25 anos. Contudo a partir daí fica activado um relógio no pulso e só têm um ano mais de vida, se o tempo termina as pessoas morrem instantameamente. Enquanto os ricos podem viver séculos, os pobres lutam para poderem chegar ao final do dia.

Dou-lhe um 6/10, realmente a ideia está boa, um mundo onde o tempo é a moeda e os pobres têm de correr para tudo enquanto os ricos vivem traquilamente. Contudo é a meu ver é o trabalho mais fraco de A. Niccol, inclui a típica historia de amor e as cenas de ação são muito forçada. Espero já o seu próximo trabalho e espero também que seja menos comercial.