2 de março de 2012

Um Método Perigoso (2011) de David Cronenberg

É sempre com muita expectativa que esperamos pelos filmes de David Cronenberg, não fosse ele um dos cineastas mais controversos da atualidade. Costuma-se dizer que ou se ama ou se odeia a Cronenberg, ele fez filmes como A Mosca (1986), Crash (1996) e mais recentemente Eastern Promises (2007) com a participação de Viggo Mortensen, que novamente volta a trabalhar com ele neste seu ultimo trabalho A Dangerous Method (2011).

A historia passa-se em vésperas da I Guerra Mundial em Zurique e Viena e acompanha o trajeto de dois famosos psiquiatras. Carl Jung (Michael Fassbender) vive e trabalha numa hospital, experimenta tratamentos inventados por Freud (Viggo Mortensen). Um dia conhece a Sabina (Keira Knightley) uma jovem de 18 anos com problemas sexuais. Os três irão trocar conhecimentos, experiências e discussões.

Dou-lhe um 6/10, talvez para alguém que estude psicologia este filme seja muito interessante, agora para alguém como eu, leigo nessa matéria, o filme pareceu-me aborrecido e por vezes desinteressante. Boas interpretações dos atores, em especial de Keira Knightley. Gostei bastante da representação da época, os detalhes das cidades e guarda roupa estão bastante bem trabalhados.

1 de março de 2012

The Woman in Black (2012) - A Mulher de Negro

Daniel Radcliffe será sempre conhecido por Harry Potter, tal foi o impacto que os filmes tiveram no cinema. A pergunta agora é saber como vai gerir a sua carreira? Irá conseguir entrar em bons papeis ou terminará em filmes de qualidade duvidosa. Recentemente fez The Woman in Black (2012) filme de terror, dirigido por James Watkins, jovem cineasta que anteriormente tinha feito Eden Lake (2008), outro filme de terror.

A historia é sobre um jovem advogado Arthur Kipps (Daniel Radcliffe), viúvo e pai de um filho pequeno, que por razões laborais tem de viajar a uma aldeia remota para organizar os papeis de um cliente recentemente falecido e tentar vender a respetiva casa. Uma vez aí, conhece o fantasma de uma mulher desaparecida que procura vingança.

Dou-lhe um 6/10, geralmente sou muito critico de filmes de terror, contudo The Woman in Black (2012) tem uma historia aceitável com vários sustos, sem necessidade de mostrar cenas demasiado sangrentas. Também não é nada de especial, não tem muita originalidade e há claramente uma influência de The Shining (1980). Gostei da fotografia, sobretudo da mansão no meio do pântano.

29 de fevereiro de 2012

Filmes de Culto - Deliverance (1972)

Gosto bastante de filmes onde o ser humano normal (sem poderes especiais nem artes marciais) tem de enfrentar-se a alguma forma de violência e responde de uma maneira que ele pensava impossível. Um bom exemplo disso é Straw Dogs (1971) de Sam Peckinpah e outro é Deliverance (1972) que este ano faz o seu 40 aniversário, ficou conhecido em Portugal como Fim-de-Semana Alucinante e no Brasil como Amargo Pesadelo. Foi dirigido por John Boorman que fez outros trabalhos como Esperança e Glória (1987) ou O alfaiate do Panamá (2001).

A historia é sobre quatro amigos que vivem na cidade e decidem descer, através de canoa, um rio rápido antes da inundação dessa zona para a construção de uma barragem. Os moradores locais avisam dos perigos que os quatro amigos poderão encontrar, mas estes ignoram os avisos e decidem contemplar toda a natureza envolvente, no entanto serão atacados por dois montanheiros.

Melhores Filmes de Ação / Thriller

Dou-lhe um 8/10, é engraçado ver como os quatro amigos menosprezam os avisos dos locais com uma atitude de superioridade avançam para aquilo que será uma luta de sobrevivência. É um excelente thriller que não deixa indiferente a ninguém, mostrando que o ser humano perante uma situação de violencia mostra o seu lado mais selvagem. Há alguns momentos que ficaram celebres como a sequência do duelo de banjo (uma espécie de guitarra) e outra em que um dos personagem tem um pesadelo onde uma mão submerge das profundezas do lago.

28 de fevereiro de 2012

Filmes de 2011 Premiados nos Principais Festivais

Neste domingo com o final da cerimonia dos oscars terminou a entrega de prémios para os melhores filmes de 2011. The Artist (2011) foi claramente o grande vencedor deste ano, tendo vencido tanto na Europa como nos EUA, o que não deixa de surpreender sendo um filmes francês e sobretudo por ser a preto e branco e mudo.

Em Fevereiro no festival de Berlim o vencedor absoluto foi Nader e Simin, A Separação (2011), um dos filmes mais premiados deste ano e na minha opinião possivelmente o melhor. Este filme iraniano venceu ainda como filme estrangeiro nos globos de ouro e nos oscar's.

Em maio, no festival de Cannes o vencedor foi A Árvore da Vida (2011) de Terrence Malick, filme bastante aclamado na Europa e que também obteve nomeações para os principais festivais dos Estados Unidos. Na minha opinião um dos melhores filmes deste ano.

Tanto nos BAFTA (prémios do cinema britânico) como César (prémios do cinema francês) o vencedor foi The Artist(2011), sendo que nos prémios ingleses foi premiado Tinker Tailor Soldier Spy (2011) como melhor filme britânico e A Pele que Habito (2011) foi a grande surpresa na categoria de filme estrangeiro, enquanto que em França A Separação voltou a vencer.

Passando o oceano e olhando os prémios da industria americana. Os Descendentes (2011) conseguiram vencer o prémio para melhor filme dramático enquanto The Artist (2011) venceu em comédia, o mesmo filme volta a vencer os oscars nas categorias principais.

Conclusão: Se em 1930 alguém dissesse aos cineastas, que em 2011 o filme mais premiado seria mudo e a preto e branco seria engraçado ver a reação. The Artist é um justo vencedor, pela coragem de fazer um filme assim e sobretudo pela homenagem que faz ao cinema mudo. O filme iraniano A Separação é outro dos vencedores, com um argumento bem mais trabalho é um excelente retrato da sociedade iraniana e do comportamento humano.

27 de fevereiro de 2012

Não Haverá Paz para os Malvados (2011) - Vencedor dos Goya 2012

No habrá paz para los malvados (2011) foi o filme vencedor dos Goya 2012 (prémios ao melhor do cinema espanhol). Estava na luta com A Pele onde eu vivo (2011) de Pedro Almodovar e ao final conseguiu ganhar seis galardões incluído melhor filme, melhor realizador (Enrique Urbizu) e melhor ator principal (José Coronado). O filme é um thriller policial.

A historia passa-se em Madrid, no principio deste século. O inspector da policia Santos Trinidad (José Coronado) já com 50 anos vai para casa já bêbado quando entra num bar e após uma discussão assassina a três pessoas. No entanto há uma testemunha e Santos inicia uma investigação para alcançar e eliminar a testemunha. Por outro lado a juíza Chacón é encarregada da investigação e avança em busca do assassino.

Dou-lhe um 5/10, José Coronado assim como os restantes atores estão bastante bem, além disso, fotografia, montagem e banda sonora estão bem. Mas o argumento é muito forçado, um policia com vários problemas que num belo dia entra num bar e "limpa" a três pessoas e depois anda atrás de uma testemunha que tem problemas com a justiça e por grande coincidência encontra uma célula terrorista. Enfim, um filme fraco e que demonstra que o ano de 2011 foi um ano também fraco em termos de cinema espanhol com qualidade.

Vencedores dos Goya em outros anos:

Pão Negro (2010)

Celda 211 (2009)

26 de fevereiro de 2012

Europa 51 (1952) de Roberto Rossellini

É uma pena que hoje o cinema italiano não tenha os cineastas tão talentosos como os que houveram em meados do século passado, como Vittorio De Sica, Federico Fellini ou Roberto Rossellini. Faz este ano o seu 60º aniversário Europa (1952), um excelente filme da famosa época do neo-realismo italiano. Contou com Ingrid Bergman na altura esposa de Roberto Rossellini.

A historia passa-se em Roma, no ano de 1951, Irene (Bergman) é casada tem um filho e aparentemente é feliz. Pertence à alta sociedade italiana e tem uma vida cómoda, jamais teve de trabalhar. No entanto o seu filho morre e Irene culpa-se pela sua morte, o seu mundo desaba e começa a questionar-se de tudo. Decide deixar o seu lar e mistura-se com as classes mais desfavorecidas.

Dou-lhe um 8/10 é magistral como Rossellini nos apresenta a sociedade de uma grande cidade europeia ainda abalada pela II Grande Guerra, as diferenças entre a burguesia que olha para o comportamento de Irene como o inicio da loucura e a classe operaria que a vê como uma santa. Excelente interpretação de Ingrid Bergman. Para mim um dos melhores trabalhos de Rossellini.

25 de fevereiro de 2012

O Abrigo (2011) - Take Shelter

Na verdade não sou grande fã de filmes sobre pessoas com problemas mentais e estava um pouco céptico para ver Take Shelter (2011), apesar das boas criticas que recebeu. Filme dirigido e escrito por Jeff Nichols, um cineasta ainda jovem que realiza o seu 2º filme. Recebeu vários prémios e nomeações com realce para Cannes e Independent Spirit Awards.

A historia passa-se na cidade de Ohio, onde Curtis (Michael Shannon) começa a ter estranhos sonhos apocalípticos, mas não conta nada à sua família nem amigos. Além dos sonhos começa também a ter visões de tempestades, e decide construir um abrigo no quintal da sua casa. Contudo a sua família e colegas de trabalho começam a questionar a sua saúde mental e o próprio Curtis também começa também a ter duvidas.

Dou-lhe um 8/10, para mim é um dos melhores filmes sobre problemas mentais que já vi, vemos como aos poucos Curtis começa a ter problemas em distinguir entre a realidade e as suas alucinações e procura respostas. Magnifica interpretação de Michael Shannon, uma das melhores deste ano. O final do filme é inesquecivel e inesperado e deixou-me a pensar nele durante uns quantos dias. Não perder.

24 de fevereiro de 2012

To Kill a Mockingbird (1962)

Hoje é relativamente banal assistir a um filme sobre problemas raciais, mas há 50 anos atrás esse tema era quase tabu. Robert Mulligan dirigiu um dos clássicos mais famosos do cinema com o nome em Portugal de Na Sombra e no Silêncio e no Brasil O Sol é Para Todos. O filme venceu vários prémios nesse ano e ao longo dos anos ganhou um estatuto de culto e de inspiração para outros cineastas.

A historia é baseada no livro de Harper Lee, To Kill a Mockingbird, nos anos 30 no estado de Alabama. Aqui vive Atticus Finch (Gregory Peck) viúvo, com os seus dois filhos pequenos que são criados por "uma mãe negra". Finch é advogado respeitado na cidade que decide defender um negro acusado de matar uma mulher branca. Todo o processo é acompanhado pelos seus dois filhos e pela sua visão infantil.

Dou-lhe um 7/10, Gregory Peck faz um papel inesquecivel, de pai respeitável e com bons princípios mas também um pai carinhoso com os seus dois filhos. Um pai inspirador para qualquer outro pai. Dos filmes que melhor retrata os tempos de infância e a visão dos filhos para com o seu pai, além de respeito há também muita admiração e ternura. Boa fotografia.

23 de fevereiro de 2012

Cavalo de Guerra (2011) de Steven Spielberg

É (quase) obrigatório assistir a qualquer filme feito por Steven Spielberg, não fosse ele um dos cineastas mais influentes no cinema nos últimos 40 anos. War Horse (2011) é baseado num livro para crianças com o mesmo nome. Embora Spilberg tenha gasto mais de 60 milhões de euros não usou atores muito famosos do grande publico. O filme recebeu 6 nomeações aos oscar's.

A historia passa-se na pequena localidade de Devon, em Inglaterra, durante a I Guerra Mundial, em que "Joey" um cavalo normal, é comprado por um pobre agricultor por um preço exagerado, enquanto a sua esposa o incentiva para vende-lo de novo, o seu filho cria um enorme laço de amizade com o animal. No entanto para manter a sua casa o seu pai é obrigado a vender o cavalo ao exercito e Albert (Jeremy Irvine) o seu filho, fica esperançado em um dia voltar a encontrar o seu amigo.

Dou-lhe um 6/10, é um típico filme familiar que após os primeiros minutos de visualização já imaginamos o final. Spielberg mantêm a qualidade da fotografia, caraterização da época e montagem no seu alto nível habitual, mas desta vez há que dizer que o argumento fica bem abaixo das obras primas que nós acostumou. No filme todos falam inglês, até os proprios alemães e francesas entre eles, e como é obvio os alemães são em geral pessimas pessoas enquanto os ingleses e franceses integros e honestos.

22 de fevereiro de 2012

Filmes de Culto - High Noon (1952)

High Noon (1952) faz este ano o seu 60º aniversário e teve o nome em Portugal de O comboio apitou três vezes e no Brasil de Matar ou Morrer. O argumento foi escrito por Carl Foreman que se inspirou numa experiência da sua própria vida quando teve que declarar sozinho perante o comité de atividades anti americanas. Foi dirigido por Fred Zinnemann, que fez também From Here to Eternity (1953) ou A Man for All Seasons (1966).


A historia passa-se no oeste americano, numa pequena cidade chamada Hadleyville. O sheriff da cidade, Will Kane (Gary Cooper) acaba de casar com Amy (Grace Kelly) e preparam-se para sair da cidade. No entanto chega a noticia que Frank Miller, um homem que foi preso por Kane, chegará à cidade ao meio dia com o seu grupo para se vingar de Kane. O sheriff e a sua esposa são aconselhados pela população para fugir da cidade, mas após os primeiros kilometros Kane decide voltar para trás e enfrentar Miller, contudo ninguém da cidade está disposto a ajuda-lo.

Dou-lhe um 8/10, é engraçado que John Wayne achou que o filme era anti americano, enquanto na antiga União Soviética foi considerado como um exemplo do individuo americano. Mas na verdade é que o filme é um espelho da nossa sociedade cada vez mais individualista, egoísta e fria. Um western com pouca ação, mas com bastante tensão psicológico que vai aumentado ao aproximar-se a hora do confronto. Outro detalhe delicioso é que o filme desenrola-se em tempo real.