16 de março de 2012

Unforgiven (1992) - Imperdoável

Um dos géneros do cinema menos "respeitados" é os westerns ou filmes do faroeste, até hoje só três filmes conseguiram ganhar o oscar para melhor filmes, foram eles; Cimarron (1931), Dança com Lobos (1990) e Unforgiven (1992) de Clint Eastwood. Curiosamente foi o ultimo western de Clint, ele que ficou famoso por este género e dedicou este filme "aos seus mestres", Don Siegel e Sergio Leone.

A historia passa-se em 1880 no estado norte americano de Wyoming, quando um homem desfigura a cara de uma prostituta com uma vaca, o xerife (Gene Hackman) apanha esse homem mas liberta-o mediante o pagamento de uma indemnização ao dono do bar. As restantes prostitutas ficam furiosas e decidem oferecer um prémio pela cabeça desse homem. William Munny (Eastwood), um pistoleiro retirado aceita o trabalho por dinheiro e chama o seu velho sócio (Morgan Freeman).

Dou-lhe um 7/10, Clint volta a vestir a pele do cowboy sem nome que lhe deu fama nos filmes do western spaghetti, um homem calado mas com princípios que pratica o bem por linhas tortas. A fotografia está bastante bem, assim como Hackman e Freeman nas respetivas interpretações. Embora tenha gostado do filmes não é dos meus westerns preferidos, mas é certamente um dos filmes deste género mais importante do cinema.

14 de março de 2012

Young Adult (2011) - Jovem Adulta

Se eu pudesse fazer filmes, Young Adult (2011) era o tipo de cinema que gostaria de fazer. Dirigido por Jason Reitman, um dos cineastas mais talentosos da atualidade, com filmes como Obrigado por Fumar (2006), Juno (2007) ou o mais recente Up in the Air (2009). Jovem Adulto (2011) foi escrito por Diablo Cody que já anteriormente tinha trabalhado com Jason Reitman.

A historia é sobre Mavis Gary (Charlize Theron) uma mulher de 37 anos divorciada, escritora fantasma de uma serie de novelas para jovens adultos, que teve bastante sucesso mas que está prestes a terminar. Enquanto procura inspiração para escrever, recebe um mail de um ex namorado do tempo de colégio, onde está a foto da filha recem nascida dele. Isso faz que Marvis se lembre desses tempos e decide voltar à sua terra natal e tentar reconquistar o seu ex namorado.

Dou-lhe um 8/10, Reitman aborda um assunto muito interessante, a dificuldade de certas pessoas têm em ultrapassar as fases da vida. Marvis está magnificamente interpretada por Charlize Theron, uma mulher fútil, egoísta, alcoólica que recorda os seus anos de adolescente como os melhores anos da sua vida e recusa avançar para a fase adulta. Uma critica a certas pessoas da nossa sociedade com bastantes momentos de humor. Altamente recomendável.

12 de março de 2012

Vampyr (1932) - Filme de Carl Theodor Dreyer

Quando saiu Vampyr, há precisamente 80 anos, as criticas foram bastante más, alguns disseram até que era o pior filme do dinamarquês Carl Theodor Dreyer, cineasta famoso sobretudo na época do cinema mudo. Durante anos este filme foi esquecido até que recentemente alguns críticos o consideram como um dos melhores filmes de terror dos anos 30 e ganhou o estatuto de clássico.

A historia é sobre Allan Gray, um jovem que chega a uma pensão isolado numa pequena aldeia. Aos poucos vai-se apercebendo que acontecem coisas muitas estranhas, tais como assassinatos, doenças repentinas e a presença de estranhas criaturas. Umas das filhas do dono da pensão está bastante doente e Allan decide ajuda-la, mas para isso terá de dar sangue.

Dou-lhe um 5/10, só recomendo este filme a pessoas que lhes interesse o trabalho de Theodor Dreyer, ou pelo inicio do cinema de terror, aos restantes cinéfilos dou o conselho que não ver este filme, pois é realmente muito aborrecido e só tem a duração de 75 minutos. A historia é difícil de entender e tem pouco nexo. Ainda assim está interessante a técnica de filmagem do realizador.

10 de março de 2012

A Invenção de Hugo (2011) de Martin Scorsese

Sinceramente parece-me estranho ver um filme de Martin Scorsese num género mais "light", mais familiar. Ele que fez filmes como Raging Bull (1980), Goodfellas (1990) ou o mais recente Shutter Island (2010). Além disso é habitual fazer documentarios, nestes últimos 3 anos fez dois sobre músicos famosos. Em Hugo (2011) utilizou o tão famoso método 3D.

A historia é sobre Hugo Cabret (Asa Butterfield) um menino de 12 anos, órfão que vive escondido na estação central de comboios de Paris em 1930. Hugo cuida dos diversos relógios da estação e observa aos passageiros e sabe que a sua existência depende do seu anonimato. Um dia o seu caminho cruza-se com George Meliés (Ben Kingsley), dono de uma loja de brinquedos na estação. George acusa a Hugo de roubar peças e tira-lhe um livro que Hugo guarda com muito carinho pois foi-lhe dado pelo seu pai.

Dou-lhe um 7/10, é um filme que há que ver no cinema e aproveitar o deleite visual que Scorsese nós oferece, tecnicamente o filme está perfeito, é realmente maravilhoso ver Paris nos anos 30, assim como todos os detalhes da estação central. Um filme para toda a família, típico de uma noite de natal. Uma homenagem deste cineasta ao inicio do cinema. Embora tenha gostado do filme, prefiro a versão mais dura e menos familiar do grande Scorsese.

9 de março de 2012

A Dama de Ferro (2011) com Meryl Streep

Quando se decidiu realizar The Iron Lady (2011) muitos ingleses se perguntaram o porquê da escolha de Meryl Streep visto que ela não é britânica. Mas após a visualização do filme acredito que ninguém duvidou que foi a melhor escolha. O filme foi dirigido por Phyllida Lloyd, uma jovem cineasta que antes fez Mamma Mia! (2008) e outros trabalhos no teatro.

A historia é sobre a vida de Margaret Thatcher (Meryl Streep), a primeira mulher (e ate hoje a única) a ser primeira ministra britânica. Retrata a vida desde a perspectiva atual, uma mulher idosa que luta para manter a sanidade mental, e que recorda os momentos mais importantes da sua vida. Uma figura bastante controversa que ainda hoje não se chega a nenhum consenso.

Dou-lhe um 7/10, é e será sempre um filme controverso, tal como a imagem de Thatcher, que foi a 1ª ministra com mais tempo no poder no século passado. A interpretação de Meryl Streep é impressionante, venceu os principais prémios de 2011 e com todo o mérito. A maquilhagem também esta bastante bem. Eu pessoalmente gostei bastante de conhecer a vida pessoal e o envelhecimento de Margaret Thatcher.

7 de março de 2012

Aguirre, o Aventureiro (1972) - Aguirre, a Cólera dos Deuses

Quando Werner Herzog, um dos cineasta alemães mais famosos nos anos 60/70, decidiu levar ao grande ecrã Aguirre, der Zorn Gottes (1972) nunca imaginou dos inúmeros problemas que iria encontrar, filmou tudo na América do sul com muito pouco dinheiro e durou 5 duras semanas. Baseou-se em fatos históricos, na expedição do conquistador espanhol Pizarro e no Comandante Lope de Aguirre.

A historia passa-se em 1561 entre Peru e o Rio Amazonas, o conquistador Gonzalo Pizarro leva uma equipa para encontrar a famosa cidade de ouro, El Dorado. No entanto o terreno é cada vez mais complicado para avançar e após alguns problemas Pizarro decide mandar uma pequena equipa em busca da cidade enquanto ele esperará durante 10 dias. Nessa pequena equipa vai Lope de Aguirre, um homem demasiado ambicioso que levará a tripulação à desgraça.

Dou-lhe um 7/10 é um filme com uma magnifica fotografia, é deslumbrante ver as paisagens da América do sul e o guarda roupa do século XVI. As interpretações estão bastante bem, seguramente o desespero de passar 5 semanas na selva em condições extremas tenha ajudado. Klaus Kinski que faz de Aguirre e está genial mesmo que parece muito estranho ouvir espanhóis a falar em alemão. O filme ganhou o estatuto de culto e influenciou filmes como Apocalypse Now (1979).

6 de março de 2012

Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011) de David Fincher

Em geral os americanos não vêm cinema que não seja norte americano, só assim se pode justificar que qualquer sucesso europeu (e não só) eles façam um remake com atores conhecidos e obviamente falado em inglês. Fiquei admirado que David Fincher tenha aceite fazer um remake de um filme tão recente, mas sendo ele um dos meus cineasta preferidos decide ver o filme, embora já tivesse visto o original sueco passado no livro bestseller com o mesmo nome.

A historia passa-se na Suécia e é sobre o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) que após ser condenado por difamação decide ir para uma ilha remota a norte da Suécia, pesquisar sobre um assassinato não resolvido de uma jovem à cerca de 40 anos. O seu tio atormentado pelo seu desaparecimento decide contratar a Mikael para tentar resolver este mistério. Mikael vai contar com a ajuda de Lisbeth Salander (Rooney Mara).

Dou-lhe um 6/10, ao ver este filme sentia que estava a ver a versão sueca e a única diferença era no idioma falado. É um filme que entretêm mas não me parece melhor (nem pior) que o original. Realmente pergunto-me porquê Fincher quis fazer este trabalho? Já se fala numa sequela, eu sinceramente fico por aqui já não verei mais filmes desta saga.

5 de março de 2012

J. Edgar (2011) de Clint Eastwood

É um privilégio poder assistir anualmente a filmes dirigidos por Clint Eastwood (este ano faz 82 anos). Uma lenda viva da 7ªarte que continua a trabalhar no cinema e nós só podemos agradecer essa dedicação. O ano passado lançou Hereafter (2010) que obteve uma boa receita mas as criticas em geral foram más, este ano com J. Edgar (2011) o filme repete-se, boa receita e criticas divididas.

A historia é sobre a vida de John Edgar Hoover (Leonardo DiCaprio) o criador da agência FBI. Desde muito jovem John começa a trabalhar para o estado e cedo se vê que irá subir rapidamente dentro do aparelho estatal. A sua vida social é quase nula, vive com a sua mãe e não tem amigos nem namoradas. É o grande responsável pela criação e desenvolvimento da agência de investigação FBI e é o seu homem forte durante 48 anos.

Dou-lhe um 7/10, achei o filme muito interessante, a historia da vida de uma figura tão estranha como John Edgar Hoover, a criação de uma das organizações mais famosas do mundo e o poder informativo que ele tinha sobre as outras pessoas . A interpretação de Leonardo DiCaprio é bastante boa, assim como a caracterização da épocas. Embora a maquilhagem é bastante má, o envelhecimento dos atores está péssimo, já há muito que não via uma maquilhagem tão mal feita.

3 de março de 2012

Gandhi (1982) de Richard Attenborough

"Quando desespero, lembro-me que, ao longo da historia, sempre triunfou a verdade e o amor. Houve tiranos e assassinos que durante um momento podem parecer invenciveis, mas, ao final, sempre caem. Tenham presente. Sempre." Umas das muitas famosas frases de Gandhi, certamente uma das pessoas mais famosas do século passado. Gandhi (1982) foi dirigido por Richard Attenborough, que disse na altura que era o filme que sempre quis fazer e teve de juntar dinheiro pois ninguém lhe queria produzir o filme.

A historia é sobre a vida de Mohandas K. Gandhi (Ben Kingsley), desde os seus anos em África do Sul, onde é um jovem advogado formado em Inglaterra e luta contra a discriminação a que os indianos estão sujeitos. Quando regressa à Índia é visto como herói pela população e ele decide viajar pelo seu país para conhecer melhor a sua gente. Aos poucos começa a ser o líder da oposição contra a ocupação inglesa sempre advogando a não violência.

Dou-lhe um 9/10, R. Attenborough consegui transmitir a riqueza da vida de Gandhi, as mais de 3 horas de duração em nenhum momento são aborrecidas. A interpretação de Ben Kingsley é magnifica, seria difícil alguém fazê-lo tão bem. O filme é grandioso, a fotografia, o cenário, os extras, a banda sonora, a montagem, maquilhagem, etc. Um filme dos anos 80 mas que faz lembrar as grandes produções dos anos 50/60. Filme que deveria ser obrigatório nas escolas, um exemplo de humanismo, luta e esperança.

2 de março de 2012

Um Método Perigoso (2011) de David Cronenberg

É sempre com muita expectativa que esperamos pelos filmes de David Cronenberg, não fosse ele um dos cineastas mais controversos da atualidade. Costuma-se dizer que ou se ama ou se odeia a Cronenberg, ele fez filmes como A Mosca (1986), Crash (1996) e mais recentemente Eastern Promises (2007) com a participação de Viggo Mortensen, que novamente volta a trabalhar com ele neste seu ultimo trabalho A Dangerous Method (2011).

A historia passa-se em vésperas da I Guerra Mundial em Zurique e Viena e acompanha o trajeto de dois famosos psiquiatras. Carl Jung (Michael Fassbender) vive e trabalha numa hospital, experimenta tratamentos inventados por Freud (Viggo Mortensen). Um dia conhece a Sabina (Keira Knightley) uma jovem de 18 anos com problemas sexuais. Os três irão trocar conhecimentos, experiências e discussões.

Dou-lhe um 6/10, talvez para alguém que estude psicologia este filme seja muito interessante, agora para alguém como eu, leigo nessa matéria, o filme pareceu-me aborrecido e por vezes desinteressante. Boas interpretações dos atores, em especial de Keira Knightley. Gostei bastante da representação da época, os detalhes das cidades e guarda roupa estão bastante bem trabalhados.