11 de maio de 2012

Frenzy (1972) de Alfred Hitchcock

De 1922 a 1976 Alfred Hitchcock, também conhecido como o mestre do suspense, fez mais de 50 filmes deixando um legado impressionante de filmes de culto e clássicos. Pessoalmente há uns 3/4 filmes que considero obras de arte, mas também já vi uns quantos bastante fracos. Frenzy (1972), que faz este ano o seu 40º aniversário e é considerado um clássico do cinema de suspense.

A historia passa-se em Londres que vive atormentada por um assassino em série que estrangula mulheres com uma gravada. Robert Rusk (Barry Foster) é o assassino, que sabendo que pode ser preso a qualquer momento decide incriminar ao seu amigo Richard Blaney (Jon Finch), um homem divorciado, sem trabalho, marginal e com problemas de bebida.

Dou-lhe um 6/10, não é dos melhores filme de Hitchcock (nem dos piores), desde o começo sabemos quem é o assassino e a vitima, ou seja, o fator surpresa é praticamente nulo, além disso há uns momentos de humor que me parecem forçados, a comédia não é o ponto forte de Hitchcock. Mas não é um filme aborrecido, a historia é interessante e o final tem alguma tensão e incerteza.

9 de maio de 2012

As Nuvens de Kilimanjaro (2011)

Atualmente na Europa vemos que alguns direitos laborais obtidos por algumas gerações estão a ser destruídas em nome da crise. Além disso o desemprego para as faixas etárias mais jovens é altíssimo o que provoca a delinquência e criminalidade. Estes assuntos são abordados pelo filme francês, As Nuvens de Kilimanjaro (2011), que foram premiados em Cannes e foi dirigida Robert Guédiguian.

A historia é sobre Michel (Jean-Pierre Darroussin) e Marie-Claire (Ariane Ascaride) que cumprem 30 anos de casamento, os dois ainda se amam. Michel é um trabalhador sindical numa zona portuária, contudo após uma diminuição de empregos ele perde o seu trabalho, assume esse fato como uma reforma antecipada e decide fazer uma viagem com a sua mulher até Kilimanjaro. Contudo ele e a sua família são assaltados e isso irá mudar o seu comportamento.

Dou-lhe um 7/10, é um filme interessante onde um casal que se considera comunista vive aos seus 50 anos de uma forma bem burguesa e após serem assaltados são obrigados a fazer uma reflexão sobre os seus princípios e por outro lado um jovem desempregado que vê no roubo uma possibilidade de resolver os seus problemas. O filme perde um pouco de gás no final mas é sem duvida recomendável.

7 de maio de 2012

Fitzcarraldo (1982) de Werner Herzog

Werner Herzog, este cineasta alemão é para muitos um génio e para outros um louco. Tinha uma obsessão pelo Amazonas e foi aí que fez possivelmente os seus melhores trabalhos, além de Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972) fez também Fitzcarraldo (1982) que faz este ano o seu 30º aniversário. Durante as filmagens (em pleno amazonas) houve atores que abandonaram o projeto, ameaças de morte e até acidentes mortais.

A historia é sobre Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) que vive no interior da Amazónia, na parte peruana, e tem o sonho de construir uma casa de opera na remota cidade de Iquitos. Para isso necessita dinheiro e investe as suas poupanças em negócios falhados, contudo nunca se dá por vencido e o seu ultimo projeto é transportar borracha de uma terra hostil até à cidade de Iquitos.

Dou-lhe um 7/10, as incríveis paisagens amazónicas com a opera usada pelo ator principal dão um espetaculo incrível, um filme agradável sobre a procura de um sonho, a sua audácia, o seu heroísmo e obviamente a sua loucura. Uma espécie de auto biografia do próprio Herzog que muitos dos seus trabalhos foram autenticas "loucuras saudáveis".

5 de maio de 2012

God Bless America (2011) de Bobcat Goldthwait

Ainda se lembram de Zed da saga Police Academy? Pois é, eu pensava que esse ator tinha os seus 15 minutos de fama nessa saga e tinha desaparecido de vez. Mas não, Bobcat Goldthwait, além de ator é escritor, comediante e até dirige filmes. God Bless America (2011) é o seu ultimo trabalho, uma comédia repleta de humor negro que é uma critica feroz à sociedade americana.

A historia é sobre Frank (Joel Murray) um homem na casa dos 40 anos que está divorciado, acaba de ser despedido do seu trabalho e é-lhe diagnosticado um temor cerebral. Enquanto vê os vários reality shows na televisão decide em suicidar-se, mas antes rouba o carro do seu idiota vizinho e matar uma jovem mal educada que é uma estrela num reality show. É aí que conhece a Roxy (Tara Lynne Barr) que junta-se a ele para impor alguma justiça no mundo.

Dou-lhe um 7/10, é uma mistura entre Assassinos Natos (1994) e Falling Down (1993), ou seja, não é muito original mas está bastante bem. É uma critica brutal à juventude americana (e não só) aos seus princípios e gostos. É duro e por vezes tem cenas com bastante sangue mas os diálogos estão excelentes e o humor é bem requintado em algumas situações. Para mim uma das melhores comédias deste ano.

4 de maio de 2012

Trouble in Paradise (1932) - Ladrão de Alcova

Ernst Lubitsch é um nome incontronável da comédia na primeira metade do século XX. Os seus filmes eram sofisticados e brincavam frequentemente com a sexualidade, estas caraterísticas ficaram conhecidas como "toque Lubitsch" que teve uma grande influência no género de comédia. Trouble in Paradise (1932) cumpre este ano o seu 80º aniversário e é um dos melhores trabalhos de Ernst Lubitsch.

A historia é sobre Gaston (Herbert Marshall) e Lily (Miriam Hopkins) dois ladrões que se conhecem e que se apaixonam em seguida. Os dois vão dando pequenos golpes até que conhecem a milionária condessa Mariette Colet e decidem rouba-la. Gaston consegue o lugar de seu secretario pessoal e Lily de datilografa. Contudo os sentimentos entre Gastone a condessa põem em risco o plano.

Dou-lhe um 7/10 é um filme leve e divertido, com um final incerto. Os diálogos são engenhosos e bem trabalhados pelos atores, tal como acontece com To Be or Not to Be (1942) igualmente de Lubitsch. Ladrões de Alcova é uma comédia com humor inteligente e negro e que parece ser muita à frente no seu tempo.

2 de maio de 2012

Haywire (2011) de Steven Soderbergh

Steven Soderbergh é um trabalhador incansável, anualmente lança um filme e este ano tivemos o prazer que assistir a dois trabalhos seus. Contagio (2011) um excelente filme de fição científica e agora Haywire (2011), com os nomes de Uma Traição Fatal em Portugal e A Toda a Prova no Brasil, filme de ação com um elenco de luxo com nomes como Gina Carano, Antonio Banderas, Michael Douglas, Ewan McGregor e Michael Fassbender.

A historia é sobre Mallory Kane (Gina Carano) uma mulher que trabalha para uma empresa privada que faz trabalhos para os serviços secretos norte americanos. Numa dessas missões é contratada para ir até Barcelona resgatar a um jornalista chinês. Tudo corre bem e Mallory regressa aos EUA, aí o seu chefe tem uma pequena missão em Dublin, ele decide aceitar e será aí que começam os problemas com a justiça.

Dou-lhe um 5/10, filme fraco e até surpreende que seja um trabalho de Soderbergh. A historia é uma fraca imitação da serie Bourne, só que agora em vez de Matt Damon temos a uma mulher (Gina Carano) que está muito bem nas cenas de ação mas péssima quando tem que abrir a boca para falar qualquer dialogo. Um filme que dá para passar o tempo e pouco mais.

1 de maio de 2012

Viver (1952) de Akira Kurosawa

Um dos assuntos que mais gosto de ver retratados no cinema é quando um idoso faz uma retrospetiva da sua vida e tem a lucidez para ver as suas vitorias e derrotas. Ikiru (1952) que faz este ano o seu 60º aniversário, aborda este assunto. Um dos filmes mais aclamados de Akira Kurosawa, o cineasta japonês mais famoso de todos os tempos, que fez obras como Rashōmon (1950) ou Os Sete Samurais (1954).

A historia é sobre Kanji Watanabe (Takashi Shimura) um homem já perto da reforma que trabalha num departamento do estado, um dos seus motivos de orgulho é nunca ter faltado ao trabalho durante 30 anos, mas quando sabe que tem um cancro terminal e começa a questionar todas as suas prioridades e logros durante a sua vida. Decide aproveitar os seus últimos dias e fazer alguma coisa pela humanidade.

Dou-lhe um 9/10, um genial filme de Akira Kurosawa, para mim o seu melhor trabalho que é um hino à vida. Uma atuação fantástica de Takashi Shimura que interpreta na perfeição a um idoso que ao analisar a sua vida vê que não desfrutou nada e decide fazer uma mudança radical nos seus últimos dias. Além disso, Akira faz uma forte critica à burocracia do estado e a inercia geral dos seus funcionários. Uma obra prima imprescindível no cinema.

29 de abril de 2012

Intouchables (2011) - Amigos Improváveis

Fui arrastado para ver este filme, não estava nos meus planos vê-lo, tinha vários preconceitos contra ele. Mais um filme onde pessoas de mundos diferentes se conhecem e compartem experiências... mesmo sabendo que foi o maior sucesso de bilheteiras de França de todos os tempos. Foi dirigido por Olivier Nakache e Éric Toledano e está baseada numa historia verídica.

A historia é sobre Philippe (François Cluzet) um refinado milionário tetraplégico francês que necessita de um auxiliar de enfermagem para o ajudar nas suas tarefas rotineiras. O escolhido é Driss (Omar Sy) um senegalês que vive nos subúrbios de Paris e que acaba de cumprir uma pena de seis meses de prisão, ele não tem qualquer formação para o cargo e é o oposto a philippe em termos de gostos.

Dou-lhe um 5/10, mais um filme onde duas pessoas de mundos diferentes se conhecem, compartem experiências, cada um abre o seu mundo e ficam mais ricos como pessoas. Banal, penso que é a palavra que melhor resume este filme e não fico admirado com o tremendo sucesso que teve, é um filme de massas para toda a gente. Ainda assim, não deixa de ser notável a força que tem atualmente o cinema francês.

28 de abril de 2012

Shame (2011) - Vergonha

Há algum tempo que se começou a falar sobre viciados em sexo, uma doença psicológica que foi confirmada por atores como Michael Douglas ou Sylvester Stallone que tiveram que ingressar em clínicas de reabilitação. Este assunto é tratado é Shame (2011), dirigido por Steve McQueen que realiza assim a sua 2ª longa metragem, depois de Hunger (2008), e que conta novamente com Michael Fassbender no papel principal.

A historia é sobre Brandon (Michael Fassbender) um homem de 30 anos que vive em Nova Iorque e que está obcecado com sexo, procura qualquer tipo de aventura sexual e tem imenso material pornográfico em casa, no seu computador e até no seu trabalho. Contrata prostitutas, frequenta bares em busca de sexo ocasional e até a bares gays. Um dia a sua irmã (Carey Mulligan) pede-lhe para passar uns dias na sua casa e a rotina de Brandon irá mudar.

Dou-lhe um 6/10, devo confessar que fiquei um pouco dececionado com o filme, embora tenha gostado da atuação de Michael Fassbender e da sua personagem, um homem que não acredita em relações a médio/longo prazo e que tem problemas sentimentais com as pessoas de quem gosta. Achei que a personagem da irmã não tem grande nexo e a historia está mal aproveitada caindo na banalidade e por vezes excessivamente lenta.

27 de abril de 2012

The Palm Beach Story (1942) - Um Marido Rico‏

Preston Sturges era um dos cineastas preferidos dos estúdios cinematograficos de hollywood nos anos 40, pois fazia sobretudo comédias românticas que agradavam a todos e tinham boas bilheteiras, exemplos disso foram As Três Noites com Eva (1941), Sullivan's Travels (1941) e The Palm Beach Story (1942) que celebra este ano o seu 70º aniversário e que é considerado como um dos melhores filmes de Preston e todo um clássico do cinema.

A historia é sobre um casal, Gerry Jeffers (Claudette Colbert) e Tom Jeffers (Joel McCrea) que estão casados há 5 anos e ela está cansada de ser pobre e ter problemas para pagar a casa, então decide pedir o divorcio, embora ainda ame o marido. Ele não quer aceitar e tenta convencê-la a ficar em casa com ele, mas ela decide abandonar o lar e procurar um marido rico que lhe ofereça luxos e que ajude também o seu marido com os seus projetos.

Dou-lhe um 5/10, após ter visto 5 minutos do filme já sabia como iria terminar e 2 dias após ter visto este filme já mal me lembrava dele. Uma típica comédia romântica com fracos momentos de humor e onde o amor vence tudo e ao final todos ficam felizes e contentes. Pessoalmente parece-me um filme demasiado fraco para ser considerando como clássico.