10 de junho de 2012

Batman Returns (1992) de Tim Burton

Vou ser claro para mim os dois filmes de Batman de Tim Burton foram os melhores alguma vez feitos para esta personagem e Batman Returns, que cumpre este ano o seu 20º aniversário, o melhor entre os dois. A imagem que Burton criou de Gotham City é magica e magnifica . Embora o filme tenha tido uma excelente bilheteira a Warner Bros decidiu mudar, segundo eles, para um cineasta mais comercial (Joel Schumacher).

A historia segue a 1ª parte de Batman, desta vez o vilão é Pinguim (Danny DeVito), um homem deformado que foi abandonado pelos seus pais quando ainda era um bebe. Pinguim quer dominar a cidade e para isso decide chantagear ao milionário Max Shreck (Christopher Walken), um dos homens mais poderosos da cidade. Este vê nesta chantagem um negocio para ele mesmo também tirar partido e controlar a energia da cidade. Os dois criam o caos na cidade e Batman (Michael Keaton) terá de agir, mas terá outro inimigo catwoman (Michelle Pfeiffer).

Dou-lhe um 8/10, Gotham City é uma cidade deslumbrante, um mundo perverso e brilhante ao mesmo tempo, uma fotografia e desenho típico do criativo Tim Burton. Os momentos de ação não estão exagerados e as personagens estão bastante bem interpretadas, sobretudo DeVito e Pfeiffer, está ultima esta feroz e muita sedutora. E por favor não me comparem a arte feita por Burton com os filmes de entretenimento feitos por Joel Schumacher e Christopher Nolan.

8 de junho de 2012

Oslo, 31 de Agosto (2011) - Filme Norueguês

Decide ver este filme pois recebeu "Un Certain Regard" no festival de Cannes de 2011, além disso já algum tempo que não via um filme escandinavo e este tinha boas criticas por parte da critica especializada. Filme dirigido por Joachim Trier, um cineasta ainda pouco conhecido. Oslo, 31 de Agosto (2011) recebeu vários prémios em festivais menores.

A historia é sobre Anders (Anders Danielsen Lie) um ex toxicodependente que se encontra atualmente em fase de recuperação numa clínica. No dia 31 de Agosto vai a Oslo, a sua cidade natal, para uma entrevista de trabalho. Antes da entrevista visita o seu melhor amigo e conta-lhe que pensa em suicidar-se, durante a entrevista admite que está em recuperação e abandona a entrevista, depois vagueia pela cidade e à noite encontra os seus antigos amigos numa festa.

Dou-lhe um 7/10, é um filme bastante duro e tipicamente do norte da Europa. Tem vários pontos positivos, a conversa entre Anders e o seu amigo é genial, os dois vão filosofando sobre a vida. Mas o melhor é como o realizador dá-nos a conhecer como um jovem inteligente, com amigos, com uma boa familia não consegue ter prazer na vida. Outro ponto positivo é a fotografia da cidade de Oslo que está magnifica.

7 de junho de 2012

Detenção de Risco (pt) - Protegendo o Inimigo (br)

Gostaria bastante de ser espião, alias acho até que daria um bom espião. Assim, se alguém me quiser contratar para algumas missões é ligar-me. Tudo isto para falar de um thriller de espionagem, Safe House (2012) dirigido por Daniel Espinosa, um sueco de origem chilena que fez assim o seu primeiro filme em hollywood após vários sucessos no seu país.

A historia passa-se na África do Sul, mais precisamente na Cidade de Cabo, onde Matt Weston (Ryan Reynolds) um agente do CIA que se encontra a guardar uma casa de seguridade da agência, procura ação mas há mais de 10 meses que a sua vida é aborrecida. Tobin Frost (Denzel Washington) é um ex agente do CIA que é capturado e é levado para a casa de seguridade e aí conhece a Matt e começam também os problemas.

Dou-lhe um 5/10, é um filme cheio de ação, com algumas cenas bastante boas mas o filme tem um grave problema, o argumento é basicamente inexistente, deu-me a sensação que conseguiram uns quantos atores famosos, um bom orçamento e logicamente a típica historia de amor, mas esqueceram-se do principal sem um bom argumento não há um bom filme.

5 de junho de 2012

Tootsie (1982) de Sydney Pollack

Faz este ano o seu 30º aniversário Tootsie (1982), um dos filmes mais famosos do cineasta Sydney Pollack, que fez trabalhos como Out of Africa (1985), Havana (1990) ou Michael Clayton (2007). O filme recebeu várias nomeações e prémios e teve bastante influencia nas comédias sobre mudança de sexo, personalidade, classe social etc. Dustin Hoffman e Jessica Lange são os atores principal sendo que Lange ganhou o oscar para melhor atriz secundaria.

A historia é sobre Michael Dorsey um ator que procura desesperadamente um trabalho e então decide vestir-se de mulher e fazer um casting para uma telenovela. Consegue o papel e começa a obter bastante sucesso. Porém manter a farsa fica cada vez mais complicado, sobretudo quando se apaixona por Julie.

Dou-lhe um 6/10, uma comédia divertida onde um homem tem de entrar no papel de uma mulher. Boas interpretações de Hoffman e Lange que despertam gargalhadas frequentemente, sobretudo pelos diálogos bem escritos. Contudo parece-me uma comédia banal, pouco original e demasiado previsível.

4 de junho de 2012

Medianeras (2011) - Filme Argentino

Mais um filme Argentino que eu tive a oportunidade de ver e mais uma vez tenho que dizer que estou a ficar grande fã do cinema deste país. Deste vez vi Medianeras (2011), filme dirigido por Gustavo Taretto que aborda o tema da solidão numa grande cidade como é Buenos Aires. A palavra medianeras é o nome dado às paredes sem janelas dos edifícios, em português são paredes cegas.

A historia é sobre Martín (Javier Drolas) que jovem que é criador de paginas de internet e raramente sai do seu pequeno apartamento, tem varias fobias mas está em processo de recuperação. Mariana (Pilar López de Ayala) vive perto do seu edifício e recentemente acabou por terminar um longo relacionamento. Embora os dois vivem perto e os seus caminhos se cruzem constantemente, eles nunca se encontraram.

Dou-lhe um 7/10 o inicio é fantástico, um texto super original e bem escrito, onde se faz uma comparação entre a solidão em uma grande cidade e os edifícios desordenados que a compõem. Podem-se dizer que é comédia romântica mas com um argumento adulto e realista, um trabalho muito interessante que aconselho vivamente a conhecer.

2 de junho de 2012

Sanma no aji (1962) - O Gosto do Sake

Por muito que que o nosso planeta que vá globalizando existirão sempre diferenças claras entre regiões, nações e logicamente continentes. Isso se nota com grande evidencia em o Gosto do Sake em Portugal e A rotina tem seu encanto no Brasil, onde a se mostra uma sociedade japonesa que para um espetador ocidental parece que estamos a falar de outro planeta. O filme foi dirigido por Yasujiro Ozu, um dos cineastas mais famosos do Japão no século passado, curiosamente este foi o seu ultimo trabalho.

A historia é Shuhei Hirayama (Chishu Ryu) um homem viúvo de meia idade que tem três filhos, o maior já está casado mas ainda tem dois a seu encargo. A sua filha com 24 anos chama-se Michiko (Shima Iwashita) e cuida da casa, contudo já tem idade para casar-se e o seu pai terá de abdicar da sua companhia por muito que lhe custe.

Dou-lhe um 6/10 é um clássico do cinema, que cumpre este ano o seu 50º aniversário, e por muitos um dos filmes que melhor exemplifica a sociedade nipónica após a II Guerra Guerra. Filme com pormenores deliciosos de amor de pai para os seus filhos, este é um homem com princípios, compreensivo e com bons valores. Talvez a nota até seja baixa mas a verdade é que me pareceu lento e aborrecido em algumas ocasiões.

1 de junho de 2012

Atmen (2011) - Filme Austriaco

O nome de Karl Markovics pode ser desconhecido à maioria mas se digo que ele é o cineasta que dirigiu Os Falsificadores (2007), filme que ganhou o oscar para melhor filme estrangeiro, então aí possivelmente já muitos de vocês conhecem um pouco do seu trabalho. Atmen (2011) é o seu novo trabalho que foi emitido em Cannes 2011 mas que não venceu qualquer prémio.

A historia é Roman, um jovem de 19 anos que atualmente vive numa prisão para menores após ter morto um outro jovem. Tem que encontrar um trabalho para convencer o juiz que já está pronto para estar livre na sociedade. Escolhe um trabalho onde tem que lidar com mortos, vesti-los, limpa-los e mete-los num caixão. Aí por coincidência dá com a sua avó morta e então conhece a sua mãe que o abandonou quando era um bebe.

Dou-lhe 7/10, é um filme típico europeu, onde se aborda um tema social bastante comum na nossa sociedade. Jovens violentos e sem referências paternas que se encontram numa encruzilhada, ter de assumir os erros e tentar encaixar na sociedade. Filme ao estilo do novo cinema romeno, bastante bem filmado e muito interessante.

30 de maio de 2012

Cabaret (1972) de Bob Fosse

Bob Fosse foi um dos mais famosos coreógrafo da Broadway, as suas incursões pelo cinema foram sobretudo musicais e Cabaret (1972), que faz este ano o seu 40º aniversário, foi o seu musical mais famoso e por muitos considerando como o melhor musical da década de 70, numa altura em que este género estava em grande declínio. Liza Minnelli, filha do famoso cineasta Vincente Minnelli, é a grande estrela deste filme que ganhou 8 oscars.

A historia passa-se na Alemanha no início dos anos 30, onde Sally Bowles (Liza Minnelli) uma cantora e dançarina norte americana, que conhece e envolve-se com um professor inglês, Brian Roberts (Michael York) que é o oposto dela. Ela trabalha num famoso cabaret em Berlin e sonha com ser uma atriz famoso. Os dois conhecem a um barão alemão que se envolve com os dois e as coisas começam a complicar-se, além disso, o movimento nazi começa a ganhar força.

Dou-lhe um 7/10, gostei bastante da forma como Bob Fosse dirigiu o filme, os momentos musicais não são excessivos, pelo contrário, são de excelente qualidade sobretudo pelo mestre de cerimonias (Joel Grey). Além disso, a fotografia e o guarda roupa estão excelentes, assim como os sinais de crescimento do nazismo entre a sociedade. Um musical que ao contrario dos habituais é claramente mais realista e politicamente incorreto.

29 de maio de 2012

Newlyweds (2011) de Edward Burns

Edward Burns é ator, escritor, produtor e realizador. É um cineasta singular já que tem uma maneira muito própria de distribuir os seus filmes, distribui os seus trabalhos por paginas "legais" de internet de venda e aluguer de filmes, deixando de lado as distribuidoras clássicas. Foi assim o que aconteceu com Nice Guy Johnny (2010) e agora com Newlyweds (2011), um filme independente com orçamento de 9 mil dólares e filmado em 12 dias.

A historia é sobre Buzzy (Edward Burns) e Katie (Caitlin FitzGerald) um jovem casal que tem uma vida aparentemente livre de conflitos. Mas com a chegada de Linda (Kerry Bishe), a irmã de Buzzy, tudo muda. Alem disso, a irmã de Katie, que se encontra à beira do divorcio, começa a projetar suspeitas sobre Buzzy. Após todas estas mudanças será que o casal vai conseguir manter-se unido?

Dou-lhe um 6/10, é um filme interessante com vários pontos positivos, todas as personagens estão bem apresentadas e têm consistencia, os diálogos e interpretações estão bastante bem. Como menos positivo é a espécie de falso documentario que existe onde as personagens estão constamente a falar diretamente para às camaras. Ainda assim , é interessante para quem gosta de este genero de filme.

27 de maio de 2012

Fanny e Alexander (1981) de Ingmar Bergman

Vou ser claro e direto não gosto dos filmes de Ingmar Bergman, para mim sempre me pareceu muito negativista e depressivo, como já referi aqui muitas vezes, e quando me propôs a ver Fanny e Alexander (1981), filme que este ano cumpre o seu 30º aniversário, que tem uma duração de 197 minutos pensei que seria uma imensa tortura há que me iria submeter. Filme nomeado a 6 oscars e venceu 4.

A historia passa-se no início do século XX na Suécia, e acompanha à família Ekdahl sobretudo a duas crianças, Fanny e Alexander. A chefe da família é a viúva Helena, uma mulher forte que anteriormente foi atriz, vive agora retirada e com uma boa qualidade de vida. À sua volta vivem os seus filhos e netos. Oscar, um dos seus filhos, é diretor de teatro e durante um dos ensaios tem um ataque e morre pouco tempo mais tarde. Fanny e Alexander, ficam órfãos de pai e vêm mais tarde a sua mãe casar-se com outro homem, um religioso duro e severo.

Dou-lhe um 7/10, dizem que é o filme mais acessível de Bergman e talvez por isso eu tenha gostado. Embora seja excessivamente longo o filme está brilhantemente filmado, as roupas, a fotografia, os cenários, todos os pormenores são deliciosos. Além disso, gostei da historia, de conhecer a família Ekdahl, as suas personagens e sobretudo o seu bom humor. Para mim o melhor filme de Bergman, típico dele mas com um espírito bem menos negativista.