21 de outubro de 2012

Vivre Sa Vie (1962) - Viver a Sua Vida

Não podemos falar da "Nouvelle Vague" sem referir Jean-Luc Godard, um dos principais nomes deste género e que teve uma enorme influencia em muitos cineastas. Um dos seus trabalhos mais conhecidos é Vivre sa vie: Film en douze tableaux (1962), que cumpre este ano o seu 60º aniversário e que contou com a bela Anna Karina.

A historia esta dividida em doze episódios e conta a vida de Nana (Anna Karina) uma jovem e bela parisiense que abandona o seu marido e filho para iniciar uma carreira de atriz. Para financiar a sua nova vida começa a trabalhar numa loja de discos mas o dinheiro que ganha é pouco e não chega para pagar o alugar da sua casa, assim decide exercer a prostituição.

Dou um 5/10, gostei bastante da primeira hora, onde Nana com problemas financeiros vai escolhendo o caminho mais fácil, a prostituição. A segunda hora o filme cai de qualidade. Muito lento e demasiado filosófico perde o interesse. O final é realmente mau a até parece que não havia mais orçamento ou tempo para fazer melhor.

19 de outubro de 2012

De Bon Matin (2011) - Uma Boa Manhã

O "bullying" no trabalho não é um tema muito habitual no cinema , e talvez por abordar esse assunto decidi ver De bon matin (2011). Com a Europa submersa pela enorme crise económica surgem imensos cortes e alterações de leis aos direitos dos trabalhadores conseguidos em outros tempos. Jean-Marc Moutout dirige este filme de baixo orçamento e que até agora teve pouca divulgação.

A historia começa com Paul (Jean-Pierre Darroussin) a sair de casa para o seu trabalho, a sede de um banco francês. Tudo parece normal até ao momento em que após entrar no seu posto de trabalho mata a duas pessoas com uma pistola. A partir daí começam a ver a sua vida antes deste acontecimento.

Dou um 6/10, um tema interessante e atual que acompanha a queda de um alto cargo. Aborda também o tema da idade, tentando demonstrar que a partir de uma certa idade o trabalhador deixa de ser útil para ser um estorvo. Pena que ao filme lhe falte alguma agressividade e aborda de leve os temas que levaram a personagem principal a agir com tal violência.

17 de outubro de 2012

The Big Sky (1952) de Howard Hawks

Howard Hawks foi um dos cineastas mais importantes e influentes do século passado, passou por vários géneros e fez filmes míticos, tais como Scarface (1932), Sergeant York (1941) ou Rio Bravo (1959). The Big Sky (1952) é também dos seus filmes mais emblemáticos, que cumpre este ano o seu 60 aniversário. Filme a preto e branco que recebeu duas nomeações para os oscars e teve uma boa bilheteira.

A historia passa-se no século 19 e acompanha a aventura de dois amigos, Jim Deakins (Kirk Douglas) e Boone Caudill (Dewey Martin), que encontram numa prisão de uma pequena vila no sul dos Estados Unidos a Zeb Calloway (Arthur Hunnicutt). Os três decidem fazer uma viagem pelo rio Missouri para negociarem com os índios.

Dou um 6/10, o filme tem vários pontos de interesse, a fotografia da paisagem é magnifica, as interpretações de Kirk Douglas e sobretudo de Arthur Hunnicutt. O menos positivo é a forma patriótica e previsível como esta feito o filme. Ainda assim, recomendo para quem gosta de H. Hawks e dos grandes épicos dos anos 50/60.

15 de outubro de 2012

Starbuck (2011) - Comédia do Quebec

A zona canadiana do Quebec é certamente a que mais e melhor cinema produz em todo o país. Monsieur Lazhar (2011) ou Incendies (2010) são alguns dos exemplos. Starbuck (2011) teve uma magnifica bilheteira no Quebec e já se fala em um remake em Hollywood. Filme dirigido por Ken Scott.

A historia é sobre David Wozniak (Patrick Huard), que quando era jovem doou esperma a uma clínica e hoje já perto dos seus 40 anos é confrontado com a noticia que é pai de 533 pessoas. Mas David, um distribuidor de carne, que planta marijuana, tem problemas com meio mundo, não quer conhecer os seus filhos.

Dou um 6/10, gostei da personagem de David, uma espécie de Big Lebowski, com bons princípios mas muito desorganizado. O filme tem os típicos clichés deste tipo de comédia, alias mais que uma comédia é também um drama pois a vida de David é bem mais dramática que engraçada. Ainda assim, é divertido e ligeiro.

13 de outubro de 2012

Cat People (1942) - Sangue de Pantera

Um dos filmes mais importantes de 1942 foi Cat People (1942), um filme entre o thriller e o terror que ganhou o estatuto de culto com o passar dos anos, tendo em 1982 visto surgir um remake mas sem o mesmo sucesso. Foi dirigido por Jacques Tourneur, um cineasta fascinado pelo cinema de terror, que fez filmes como I Walked with a Zombie (1943) ou Night of the Demon (1957).

A historia é sobre uma jovem servia, Irena (Simone Simon), que se apaixona por Oliver (Kent Smith) e os dois se casam. Mas logo começam a ter problemas, visto que Irena acredita ser descendente de uma raça de mulheres monstros que se transformam em panteras assim que forem beijadas ou se sentem ciumes.

Dou um 3/10, dizer que este filme é um dos melhores de 1942 só indica que estamos perante um ano bastante fraco. O filme tem um argumento medíocre, é muito lento e aborrecido. Kent Smith, o marido de Irene, é um dos piores atores que vi. As próprias sequências de imagens me pareceram demasiado más e ridículas.

11 de outubro de 2012

Into the White (2012) - Filme Anti Guerra

Já disse isto varias vezes, mas estou farto de filmes sobre a II Guerra Mundial, e a única razão porque vi este foi pela historia verídica que esta por detrás. Filme norueguês realizado por Petter Næss, cineasta
conhecido sobretudo no norte da Europa. Uma pena que este filme tenha sido diretamente lançado em dvd não passando pelas salas de cinema.

Uma historia verídica que ocorreu em 1940 num inóspito lugar na Noruega. Dois aviões, um alemão e outro britânico, entram em batalha e os dois caem ao solo. Três soldados alemães e dois britânicos sobrevivem e lutam pela sobrevivencia e juntam-se numa cabana para esconder-se do frio e ao principio existe uma enorme tensão que aos poucos vai diminuindo.

Dou um 7/10, um bom filme anti guerra onde quase tudo se passa numa pequena cabana com só cinco atores, mas ao contrário do que possa parecer o filme não é nada lento nem aborrecido, pelo contrario tem um bom argumento e bons desempenhos. O filme merece ser visto é da-nos uma boa imagem do ser humano sob pressão.

9 de outubro de 2012

Strictly Ballroom (1992) - Vem Dançar comigo

Antes de fazer Moulin Rouge! (2001), o cineasta Baz Luhrmann fez um filme que hoje é considerado de culto, Strictly Ballroom (1992), filme australiano que foi um verdadeiro sucesso de bilheteiras há precisamente 20 anos. O filme ganhou imensos prémios e lançou Baz Luhrmann para filmes com maior orçamento.

A historia é sobre Scott Hastings (Paul Mercurio) um jovem dançarino de salão que tem tudo preparado para se tornar campeão nacional dessa modalidade, mas numa qualificação decide introduzir passos novos o que leva à sua desclassificação e abandono da sua parceira. Scott fica na duvida entre seguir em frente com a novidade ou ir pelas regras.

Dou um 6/10, filme cómico e divertido que é uma sátira aos filmes musicais dos anos 80, tipo Dirty Dancing (1987), onde existe um excelente bailarino e uma "patinho feio" que sonha em dançar. O filme é um pouco "brega" mas consegue o seu objetivo soltar umas gargalhadas dos espetadores e ouvir uma bela banda sonora.

7 de outubro de 2012

A Guerreira (2011) - Filme Alemão sobre Neo Nazis

A Guerreira (2011) estreou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com boas criticas e onde a atriz principal, Alina Levshin, foi premiada com o melhor desempenho feminino. O filme foi dirigido por David Wnendt e aborda um tema bastante sensível na Alemanha, o elevado grupo de jovens neo nazis existentes sobretudo na antiga RDA.

A historia é sobre Marisa (Alina Levshin), uma jovem nazi que com o seu grupo gostam de praticar pequenos atos de violência, sobretudo nos estrangeiros e gravar tudo em vídeo. Um dia, enquanto o seu namorado esta preso, Marisa decide encontrar os seus amigos numa praia, aí vêem uns árabes e entra em conflito com eles. A partir desse dia Marisa era mudar aos poucos.

Dou um 6/10, o filme é bastante parecido a American History X (1998) e This Is England (2006) onde um nazi após um comportamento violento se da conta que está errado e tenta redimir-se. O filme não traz nada de novo mas merece a pena ver pelo desempenho da atriz principal ou para quem gosta deste tipo de assuntos.

5 de outubro de 2012

I Am a Fugitive from a Chain Gang (1932) - O Fugitivo

Não é nada normal que um filme dos anos 30 aborde temas sociais, a grande maioria dos filmes desses anos eram comédias românticas com o único objetivo de entreter o publico. I Am a Fugitive from a Chain Gang (1932), é claramente diferente, um clássico que cumpre este ano o seu 80 aniversário, dirigido por Mervyn LeRoy que fez obras como A Ponte de Waterloo(1940) ou Quo Vadis?(1951).

A historia é baseada na auto biografia de Richard E. Burns. Após o fim da I Guerra Mundial James Allen (Paul Muni) volta a casa e decide procurar o seu sonho de trabalhar em obras publicas, mas as coisas correm mal e acaba como vagabundo sem dinheiro. Após um assalto, em que só assiste sem tomar parte, é condenado a 10 anos de prisão no sul dos Estados Unidos.

Dou um 7/10, filme social que faz uma enorme critica as prisões dos Estados Unidos e a falta de condições humanas em que se encontram os presos. O filme marca um género, o 1º filme sobre uma fuga da prisão. É
certamente um dos filmes mais importantes no início da década de 30 e um dos pioneiros no cinema social. Algumas das cenas e frases são referências no cinema.

3 de outubro de 2012

The Deep Blue Sea (2011) - Filme de Terence Davies

Este filme britânico criou diferentes reações, para os críticos cinematograficos estamos perante um magnifico filme enquanto que o publico em geral recebeu-o de uma forma negativa, exemplo disso é a pontuação de 6.2 que tem no IMDB. Filme baseado num livro de Terence Rattigan de 1952 com o mesmo nome. Foi dirigido por Terence Davies.

A historia remonta por volta de 1950 e acompanha a Hester Collyer (Rachel Weisz) uma mulher casada com um importante juiz, Sir William Collyer (Simon Russell Beale), e que conhece a um atraente piloto, Freddie Page (Tom Hiddleston). Hester e Freddie apaixonam-se e decidem viver juntos, mas aos poucos o sentimento de Freddie começa a mudar.

Dou um 8/10, para mim um dos melhores filmes sobre amor não correspondido. Aos contrario dos típicos filmes românticos, The Deep Blue Sea (2011) rompe com fantasias e mostra o lado mais duro e realista do final de uma relação. Magnificas interpretações dos três atores envolvidos na trama e uma excelente caraterização de Londres nos aos 50. Imperdível.